A monografia é obrigatória e paira sobre os ombros do monografando como um papagaio que jamais cala o bico. Ao ser questionado sobre o que angustia o pobre monografando, o que geralmente diz o papagaio?

 

  • não sei sobre que tema fazer;
  • tenho um tema em mente, mas não sei se rende;
  • tenho dois temas e não consigo escolher;
  • simplesmente não sei por onde começar;
  • não sei quem pode me orientar;
  • não sei como abordar meu possível orientador;
  • sei o que quero fazer, mas não há ninguém que possa me orientar aqui;
  • não sei escrever na linguagem científica;
  • detesto a linguagem acadêmica e acho isso uma bobagem;
  • não tenho tempo, já estou trabalhando;
  • não tenho disciplina suficiente, sou muito dispersivo;
  • não sei lidar com prazos;
  • não gosto de ler teoria;
  • nunca vou conseguir ler toda a bibliografia necessária;
  • tenho medo de misturar autores de diferentes paradigmas;
  • não entendo nada de metodologia;
  • nunca escrevi mais do que dez páginas, como vou escrever uma monografia?

 

Dificilmente alguém estará livre de algumas dessas angústias. Na verdade, elas acompanham todos os pesquisadores. Doutores também possuem dúvidas sobre  questões de pesquisa e escolhas de métodos, por exemplo, e a maioria tem dificuldade para lidar com prazos.

 

Vou procurar tratar de cada item separadamente, pois todos são pertinentes. O que importa dizer, logo de início, é que essas angústias não são individuais, e sim compartilhadas. Alguns podem estar mais seguros sobre um ou outro ponto, mas todos passam pelas mesmas dúvidas. Falar sobre essas questões vai retirando aquela aura mítica de que haveria mentes privilegiadas para as quais a monografia seria apenas uma questão de “sentar e escrever”. Bem, isso não existe. Infelizmente, ninguém “senta e escreve” uma monografia.