Este mapa bibliográfico talvez seja útil para o contato inicial com os métodos e as técnicas de pesquisa mais comuns em Comunicação. Para aprimorá-lo, é recomendável conversar com o orientador.

Pesquisa bibliográfica

Gil (1999, 2002), Stumpf (2005)

Análise documental

Gil (1999, 2002), Loizos (2002), Mann (1975), Moreira (2005), Taylor e Bogdan (1996)

Entrevista

Babbie (2005), Alonso (1995), Duarte, J. (2005), Flick (2002), Gaskell (2002), Gil (1999), Haguette (2003), Jovchelovitch e Bauer (2002), Mann (1975), Sutil (1995), Taylor e Bogdan (1996), Triviños (1997)

Questionário, formulário, pesquisa de opinião, survey

Babbie (2005), Gil (1999), Mann (1975), Novelli (2005), Pádua, J. (1993), Powell (1991)

Pesquisa-participante, pesquisa-ação

Becker (1997), Gil (1999, 2002), Haguette (2003), Mann (1975), Pask (1995), Peruzzo (2005), Taylor e Bogdan (1996), Triviños (1997)

Etnografia

Aguirre Baztán (1995), Beaud e Weber (2007), Galindo Cáceres (1997), Haguette (2003), Lago (2007), Pérez Serrano (1994), Travancas (2005)

Grupo focal

Canales e Peinado (1995), Costa (2005), Dias (2000), Gaskell (2002)

História de vida, história oral

Becker (1997), Cassab (2004), Galindo Cáceres (1997), Gobbi (2005), Haguette (2003), Santamarina e Marinas (1995)

Análise de conteúdo

Bardin (2004), Bauer (2002), Navarro e Díaz (1995), Fonseca Júnior (2005), Herscovitz (2007), Pérez Serrano (1994), Triviños (1997)

Análise de discurso

Benetti (2007), Gill (2002), Maingueneau (2001), Orlandi (1996, 2001)

Análise de narrativa

Gancho (1998), Motta (2004, 2007), Niel (s.d.)

Análise fílmica

Aumont (1995), Joly (1996), Martin (2007), Vanoye, Goliot-Lété (1994)

Análise hermenêutica

Bastos e Porto (2005)

Análise semiótica

Abril (1995), Codato e Lopes (2005), Iasbeck (2005), Penn (2002), Rose (2002)

Estudo de caso (estratégia)

Duarte, M. (2005), Fachin (2003), Gil (1999, 2002), Pádua, E. (2000), Pérez Serrano (1994), Triviños (1997), Yin (2005)

REFERÊNCIAS:

ABRIL, Gonzalo. Análisis semiótico del discurso. In: DELGADO, Juan Manuel; GUTIÉRREZ, Juan (org.). Métodos y técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. Madri: Síntesis, 1995.

AGUIRRE BAZTÁN, Ángel. Etnografia: metodología cualitativa em la investigación sociocultural. Barcelona: Marcombo, 1995.

ALONSO, Luis Enrique. Sujeto y discurso: el lugar de la entrevista abierta en las prácticas de la sociología cualitativa. In: DELGADO, Juan Manuel; GUTIÉRREZ, Juan (org.). Métodos y técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. Madri: Síntesis, 1995.

AUMONT, Jacques et al. A estética do filme. Campinas: Papirus, 1995.

BABBIE, Earl. Métodos de pesquisas de survey. Belo Horizonte: UFMG, 2005.

BARDIN, Laurence. A análise de conteúdo. 3.ed. Lisboa: Edições 70, 2004.

BASTOS, Fernando; PORTO, Sérgio Dayrell. Análise hermenêutica. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

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BEAUD, Stéphane; WEBER, Florence. Guia para a pesquisa de campo: produzir e analisar dados etnográficos. Petrópolis: Vozes, 2007.

BECKER, Howard S. Métodos de pesquisa em ciências sociais. 3.ed. São Paulo: Hucitec, 1997.

BENETTI, Marcia. Análise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos. In: LAGO, Cláudia; BENETTI, Marcia (org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007.

CANALES, Manuel; PEINADO, Anselmo. Grupos de discussión. In: DELGADO, Juan Manuel; GUTIÉRREZ, Juan (org.). Métodos y técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. Madri: Síntesis, 1995.

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DUARTE, Jorge. Entrevista em profundidade. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

DUARTE, Marcia Yukiko Matsuuchi. Estudo de caso. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

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GALINDO CÁCERES, Luís Jesús. Sabor a ti: metodologia cualitativa en investigación social. Xalapa: Universidad Veracruzana, 1997.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ática, 1998.

GASKELL, George. Entrevistas individuais e grupais. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

GILL, Rosalind. Análise de discurso. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

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GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GOBBI, Maria Cristina. Método biográfico. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

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HERSCOVITZ, Heloiza. Análise de conteúdo em jornalismo. In: LAGO, Cláudia; BENETTI, Marcia (org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007.

IASBECK, Luiz Carlos Assis. Método semiótico. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

JOLY, Martine. Introdução à análise da imagem. Campinas: Papirus, 1996.

JOVCHELOVITCH, Sandra; BAUER, Martin. Entrevista narrativa. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

LAGO, Cláudia. Antropologia e jornalismo: uma questão de método. In: LAGO, Cláudia; BENETTI, Marcia (org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007.

LOIZOS, Peter. Vídeo, filme e fotografias como documentos de pesquisa. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

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YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

A definição do corpus é um dos grandes problemas de quem faz pesquisa. Depois de escolher o tema, o objeto empírico, formular uma questão e estabelecer os objetivos, estamos diante da pergunta: “de quantas unidades preciso para …?”.

É neste momento que nos perguntamos: quantas pessoas preciso entrevistar, quantos questionários devo aplicar, quantas edições de um jornal devo analisar? Também nos perguntamos como selecionar estas unidades de análise e qual o recorte temporal do corpus.

Não há regras definidas. Tudo depende da questão de pesquisa, da natureza do objeto e dos objetivos que você pretende alcançar. Conversar com o orientador é fundamental para chegar a uma boa definição do corpus.

No PowerPoint a seguir, você encontra algumas dicas básicas sobre os tipos de seleção das unidades e sobre as características de um bom corpus.

Ao construir seu Projeto de Pesquisa, você terá um item chamado “Objetivos”. Nele você vai explicitar o Objetivo Geral e os Objetivos Específicos da pesquisa. Mas lembre que, na redação final da Monografia, você vai expor estes objetivos na Introdução: “O objetivo geral desta pesquisa é…” e “A pesquisa tem como objetivos específicos: a) …; b) …”, ou algo similar.

Um objetivo é, grosso modo, aquilo que você pretende atingir. A clareza dos objetivos é tão importante, que sem ela você não consegue chegar ao momento da escolha dos métodos. Cada objetivo expresso subentende a terrível pergunta: “como” atingir este objetivo? Este “como” é o método. Por isso, antes de pensar em metodologia você precisa definir os objetivos. Não inverta o processo.

Há algumas regras básicas para que possamos formular bons objetivos. A primeira regra é que o objetivo geral está intimamente relacionado com o problema ou questão de pesquisa. Podemos dizer que é apenas uma nova forma de expor a mesma idéia. Se sua questão de pesquisa indica uma coisa e o objetivo geral indica outra, reveja, refine e reescreva. Eles têm que estar conectados.

A segunda regra é que todo objetivo é redigido partindo de um verbo no infinitivo. A escolha do verbo é difícil, pois ele precisa se aproximar o mais possível do que você realmente pretende. Abaixo, coloco uma lista de verbos mais utilizados. Cada um deles tem um significado, e só você pode fazer esta escolha – você e seu orientador, evidentemente.

A terceira regra é que o objetivo geral é, como o próprio nome indica, o mais amplo. É totalmente errado possuir um objetivo específico que não esteja contemplado pelo objetivo geral. É errado quando um objetivo específico é maior do que o geral, mais ambicioso, mais amplo ou (como infelizmente é comum) propõe uma outra coisa. Os objetivos específicos não podem pegar o objetivo geral “de surpresa” ou “à traição”.

A quarta regra é que o objetivo geral já deve indicar o objeto empírico. Ao ler este objetivo, o examinador já sabe onde você vai realizar aquela pretensão. Não é necessário incluir recorte temporal ou delimitação do corpus.

Por fim, os objetivos específicos são recortes do seu objetivo geral. Ao atingi-los, você estará atingindo o objetivo mais amplo. Isso não inclui, jamais, a identificação da metodologia. Vou dar um exemplo bastante habitual: “realizar entrevistas com jornalistas para verificar seus modos de compreensão sobre…”. Não. O objetivo deve ser “identificar como os jornalistas compreendem…”. A entrevista é o método, e o método deve ser explicitado depois. O método é como você vai chegar ao que quer identificar.

Exemplos de verbos mais utilizados:

  • Analisar
  • Avaliar
  • Comparar
  • Compreender
  • Comprovar
  • Debater
  • Delinear
  • Demonstrar
  • Determinar
  • Diagnosticar
  • Diferenciar
  • Distinguir
  • Elaborar
  • Estabelecer
  • Estruturar
  • Evidenciar
  • Examinar
  • Explicar
  • Identificar
  • Interpretar
  • Investigar
  • Localizar
  • Mapear
  • Medir
  • Observar
  • Sistematizar
  • Verificar

Tempo, tempo, tempo. Quem sabe lidar com ele? Em uma monografia, a única certeza que você tem é que o tempo não se estende. Se você tem um semestre ou dois para produzir a monografia, terá que trabalhar com esta medida de tempo e adequar seus interesses e possibilidades aos meses de que dispõe.

Conhecer (e admitir) sua vida concreta, e não a vida que gostaria de ter, é fundamental. Se você trabalha e precisa “encaixar” a monografia nos horários de folga do trabalho e das outras disciplinas, é evidente que precisa escolher um tema que exija menos dedicação, em termos de tempo. Se você tem mais tempo disponível, pode projetar um problema mais complexo e que demande mais leituras. O que não pode fazer, de modo algum, é fingir que “vai dar tempo” e inventar de pesquisar um tema que exigiria mais tempo do que você efetivamente terá.

De qualquer modo, tendo mais ou menos tempo, o certo é que precisará de algum. E deverá deixar ao orientador um certo tempo também, para que ele possa fazer o trabalho que lhe compete – ler, revisar, dar retorno. Poucas coisas irritam mais um orientador do que o orientando que não cumpre os prazos, não vem à orientação e depois entrega tudo no último dia, quando não é possível fazer nenhuma alteração. O orientador fica com a sensação clara de ter sido usado. E mal usado, diga-se.

Sempre digo aos meus orientandos que monografia (assim como dissertação e tese) a gente faz aos pedacinhos. É a Lei de Jack. É a única lei que funciona. Depois de estabelecer uma arquitetura, a gente vai dando conta do recado por partes. A cada capítulo, vai entregando ao orientador, que vai lendo, devolvendo e pedindo correções. No final, falta apenas o polimento. Se você não prevê o tempo do polimento, seu texto vai revelar o desequilíbrio, e a banca vai perceber.

Uma vez uma pessoa me disse que não tinha dificuldade alguma com trabalhos, pois tinha um método próprio. Ela “sentava e escrevia”. Tinha feito sua monografia de conclusão de curso assim. Na verdade, tinha tirado férias do trabalho durante duas semanas, e neste período tinha se trancado em casa para escrever a monografia. Eu disse a ela que não acreditava neste método de trabalho, porque nenhum texto tão extenso poderia ser de fato escrito em tão pouco tempo. Realmente o método não funciona, porque esta mesma pessoa depois perdeu todos os prazos – e perdeu o Mestrado.

E por que não funciona? O que acontece quando você começa a escrever? Você mergulha naquela parte do trabalho e, à medida que escreve, surgem dúvidas que requerem uma ou outra nova leitura. Se você não prevê pelo menos três semanas para escrever cada capítulo, não se permite um amadurecimento destas idéias. Seu texto fica plano e sem capacidade de articulação. Além disso, a parte empírica do trabalho normalmente exige uma dedicação maior e grande esforço intelectual. Se você estiver muito cansado – porque passou escrevendo de forma alucinada seus capítulos teóricos –, não terá criatividade para observar seu objeto.

Por todas essas razões, a melhor decisão é de cunho pragmático: já que você não pode estender o tempo, pense em perspectiva e trabalhe com pequenos prazos. Faça seu cronograma, discuta o planejamento com seu orientador. E cumpra estes pequenos prazos, um depois do outro.

Não empurre com a barriga. Não fique fingindo que “vai dar tempo” e que suas madrugadas insones serão suficientes. E não sacaneie o orientador, entregando o texto e esperando que ele lhe dê retorno (e sem exigir modificações, por supuesto) em dois dias. Isso simplesmente não vai acontecer.

Pesquisadores são seres problemáticos. Se seu projeto não tem um problema, é você que está com um (e dos grandes). Sem problematização, não há pesquisa. Não há meio-termo para isso.

Problema é a questão a ser respondida pelo trabalho. Não é, porém, uma questão simples. Ela já vem polida por uma certa reflexão teórica. É uma questão que já tomou forma em sua mente: portanto, ela deriva se sua observação sobre um fenômeno e deriva de questões teóricas sobre ele. No caso da Monografia que estamos tratando aqui, a questão de pesquisa deriva da observação sobre um fenômeno do campo da Comunicação e se ampara em reflexões tanto desta área quanto de áreas que lhe são afins.

Não existem regras para a apresentação do problema ou questão de pesquisa. Pode ser apresentado como uma pergunta ou como uma afirmação. O que importa é que o problema seja bem construído, pois ele é o centro da pesquisa. A redação deve ser clara e precisa. Ao ler o problema de pesquisa, o examinador já sabe o que esperar da monografia. E é esta pergunta que o examinador exige que seja respondida ao final. Portanto, invista na escritura do problema (bem como na redação dos objetivos, que vou tratar em outro post).

Construir a questão de pesquisa é, geralmente, a parte mais demorada da elaboração de um projeto. Depois que você consegue (finalmente) chegar a um tema, começam as dúvidas sobre a questão de pesquisa: o que posso perguntar sobre este objeto e, especialmente, o que posso perguntar e efetivamente responder sobre ele? Não é possível dar uma orientação genérica sobre isso, pois cada caso é realmente um caso. Depende do enfoque e do que você está querendo propor. No entanto, os limites do problema de pesquisa devem estar definidos também pela exeqüibilidade, pelo tempo de execução, pelo conhecimento do pesquisador, pelo acesso aos dados de pesquisa, pela relevância da questão e pelo caráter de um trabalho monográfico.

Por favor, lembre-se: uma Monografia é um trabalho recortado, sem pretensões de ser uma Dissertação de Mestrado ou uma Tese de Doutorado. Não caia na armadilha de propor algo grande demais e exige tempo demais.

Dica de redação:

Existe uma diferença fundamental entre a redação de um Projeto de Pesquisa e a redação final da Monografia. O Projeto é aquilo que você vai apresentar ao seu orientador, para vocês discutirem os rumos do trabalho. A Monografia é o relatório final da sua pesquisa.

Assim, no Projeto você terá um item específico chamado “Problema de Pesquisa” ou “Questão de Pesquisa”, no qual o problema deve estar redigido de forma isolada do resto do texto. Na Monografia, porém, não cabe ter um item específico, com um título próprio, para identificar o seu problema ou questão de pesquisa. Então, onde ele estará exposto? Necessariamente, você terá que narrá-lo na Introdução do trabalho, deixando claro para quem ler qual é a questão que norteia a investigação. A melhor forma é a mais clara, direta e explícita, como: “Meu problema de pesquisa é: ….” ou “O problema de pesquisa que orienta esta monografia é ….”. O mesmo vale para os objetivos (tanto o geral como os específicos), que devem estar explicitados também na Introdução. Se o avaliador tiver clareza sobre o que você pretende, saberá como deve ler o seu trabalho. Seja esperto: é você quem dá o tom do seu texto. Guie a leitura, diga o que está fazendo.

Estudo de Caso não é exatamente uma metodologia, e sim uma estratégia de pesquisa. Não basta que você tenha um objeto empírico para que tenha “um estudo de caso”. Para que este assim se configure, deve cumprir certas exigências:

  • ser um estudo intensivo;
  • preservar o caráter único do objeto investigado;
  • ocorrer no ambiente natural do objeto;
  • ser limitado quanto a tempo, eventos ou processos.

O Estudo de Caso pode trabalhar com um caso, ou dois, ou três. No caso de comparações, deve ter um foco bastante específico, geralmente em um processo que seja comum aos casos investigados.

Você pode decidir avaliar o histórico de uma instituição, fazendo um Estudo de Caso de tipo Histórico. Pode querer recuperar a biografia de alguém relevante para o campo em que estuda, caracterizando um Estudo de Caso de tipo Biográfico. Pode escolher analisar uma comunidade, fazendo então um Estudo de Caso de tipo Comunitário. Ou pode trabalhar por comparação, analisando os mesmos elementos em dois contextos diferentes, caracterizando um Estudo de Caso por Comparação.

Importa aqui compreender duas coisas: 1) nem sempre, quando temos um objeto, temos de fato um Estudo de Caso; 2) todo Estudo de Caso requer uma combinação de métodos e técnicas de coletas de dados. Talvez você tenha que lidar com Pesquisa Documental, Entrevista, Etnografia, Análise de Conteúdo, Narrativa ou de Discurso, por exemplo.

Para ler sobre Estudo de Caso, recomenda-se:

DUARTE, Marcia Yukiko Matsuuchi. Estudo de caso. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.

PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 6.ed. São Paulo: Papirus, 2000.

PÉREZ SERRANO, Gloria. Investigación cualitativa: métodos y técnicas. Buenos Aires: Editorial Docencia, 1994.

TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1997.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

O método da Pesquisa Documental vale-se de documentos originais, que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor. Assim, esta pesquisa não se confunde com a bibliográfica. É comum, na produção de monografias da área da Comunicação, coletarmos dados em documentos bastante diversificados:

  • documentos institucionais conservados em arquivos;
  • documentos institucionais de uso restrito;
  • documentos pessoais, como cartas e e-mails;
  • fotografias, vídeos, gravações;
  • leis, projetos, regulamentos, registros de cartório;
  • catálogos, listas, convites, peças de comunicação;
  • instrumentos de comunicação institucionais.

Existe uma dúvida sobre considerar relatórios impressos (relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.) como fonte documental ou fonte bibliográfica. Não há consenso sobre isso. Sugiro que se avalie caso a caso e se tome a decisão no escopo da pesquisa, junto com o orientador. Se o relatório é interno à empresa, por exemplo, deve ser tomado como fonte documental. Se o relatório foi distribuído para clientes e bibliotecas, deve ser tomado como fonte bibliográfica. De qualquer modo, as fontes devem estar explicitadas na monografia.

Lembre-se: todos os dados de uma pesquisa exigem a indicação de sua fonte. Se a fonte é um documento, indique-a em nota de rodapé.

Para ler sobre Pesquisa Documental:

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.

LOIZOS, Peter. Vídeo, filme e fotografias como documentos de pesquisa. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

MANN, Peter. Métodos de investigação sociológica. 3.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

MOREIRA, Sonia Virgínia. Análise documental como método e como técnica. In: DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

TAYLOR, S. J.; BOGDAN, R. Introducción a los métodos cualitativos de investigación: la búsqueda de significados. Barcelona: Paidós, 1996.

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