Pesquisadores são seres problemáticos. Se seu projeto não tem um problema, é você que está com um (e dos grandes). Sem problematização, não há pesquisa. Não há meio-termo para isso.

Problema é a questão a ser respondida pelo trabalho. Não é, porém, uma questão simples. Ela já vem polida por uma certa reflexão teórica. É uma questão que já tomou forma em sua mente: portanto, ela deriva se sua observação sobre um fenômeno e deriva de questões teóricas sobre ele. No caso da Monografia que estamos tratando aqui, a questão de pesquisa deriva da observação sobre um fenômeno do campo da Comunicação e se ampara em reflexões tanto desta área quanto de áreas que lhe são afins.

Não existem regras para a apresentação do problema ou questão de pesquisa. Pode ser apresentado como uma pergunta ou como uma afirmação. O que importa é que o problema seja bem construído, pois ele é o centro da pesquisa. A redação deve ser clara e precisa. Ao ler o problema de pesquisa, o examinador já sabe o que esperar da monografia. E é esta pergunta que o examinador exige que seja respondida ao final. Portanto, invista na escritura do problema (bem como na redação dos objetivos, que vou tratar em outro post).

Construir a questão de pesquisa é, geralmente, a parte mais demorada da elaboração de um projeto. Depois que você consegue (finalmente) chegar a um tema, começam as dúvidas sobre a questão de pesquisa: o que posso perguntar sobre este objeto e, especialmente, o que posso perguntar e efetivamente responder sobre ele? Não é possível dar uma orientação genérica sobre isso, pois cada caso é realmente um caso. Depende do enfoque e do que você está querendo propor. No entanto, os limites do problema de pesquisa devem estar definidos também pela exeqüibilidade, pelo tempo de execução, pelo conhecimento do pesquisador, pelo acesso aos dados de pesquisa, pela relevância da questão e pelo caráter de um trabalho monográfico.

Por favor, lembre-se: uma Monografia é um trabalho recortado, sem pretensões de ser uma Dissertação de Mestrado ou uma Tese de Doutorado. Não caia na armadilha de propor algo grande demais e exige tempo demais.

Dica de redação:

Existe uma diferença fundamental entre a redação de um Projeto de Pesquisa e a redação final da Monografia. O Projeto é aquilo que você vai apresentar ao seu orientador, para vocês discutirem os rumos do trabalho. A Monografia é o relatório final da sua pesquisa.

Assim, no Projeto você terá um item específico chamado “Problema de Pesquisa” ou “Questão de Pesquisa”, no qual o problema deve estar redigido de forma isolada do resto do texto. Na Monografia, porém, não cabe ter um item específico, com um título próprio, para identificar o seu problema ou questão de pesquisa. Então, onde ele estará exposto? Necessariamente, você terá que narrá-lo na Introdução do trabalho, deixando claro para quem ler qual é a questão que norteia a investigação. A melhor forma é a mais clara, direta e explícita, como: “Meu problema de pesquisa é: ….” ou “O problema de pesquisa que orienta esta monografia é ….”. O mesmo vale para os objetivos (tanto o geral como os específicos), que devem estar explicitados também na Introdução. Se o avaliador tiver clareza sobre o que você pretende, saberá como deve ler o seu trabalho. Seja esperto: é você quem dá o tom do seu texto. Guie a leitura, diga o que está fazendo.

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