Agosto 2008


Abaixo, você pode baixar o arquivo em pdf do programa da disciplina, especificamente sobre o módulo que prepara para o projeto de monografia. Além dos objetivos e do conteúdo programático, este arquivo traz o roteiro das aulas, a forma de avaliação e uma extensa bibliografia.

Pela minha experiência, a escolha do tema está entre as mais difíceis decisões de quem constrói um projeto de monografia. Quando você começa a pensar sobre o que fazer, antes de definir exatamente o “objeto empírico”, está em busca de um tema, que é este campo mais amplo onde se inscrevem os seus interesses. Não esqueça que você vai passar meses agarrado a este tema – portanto ele, no mínimo, não pode ser chato.

Entram em jogo, no entanto, as limitações institucionais. Você terá que ser orientado na produção da monografia. São poucos os professores, e alguns deles já têm orientandos na agenda. Além disso, nenhum professor vai se arriscar a orientar uma monografia que fuja completamente ao seu campo básico de conhecimento, o que estaria no limite da irresponsabilidade. Portanto, você vai ter que conjugar o seu interesse com a capacidade de orientação dos professores disponíveis. Talvez tenha que fazer, neste processo, algumas concessões: ou em relação ao objeto, ou teóricas, ou mesmo metodológicas.

É bom lembrar que o Departamento de Comunicação permite que você busque um orientador em outro Departamento da UFRGS ou alguém que tenha título de mestre e seja cadastrado como orientador – o que aumentam as possibilidades de orientação. Você também pode ser co-orientado por alunos de Doutorado do PPGCOM (Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação), com a supervisão dos orientadores destes doutorandos.

De qualquer modo, ao iniciar a elaboração do tema, já avalie as possibilidades de orientação. É uma economia de esforços que pode evitar uma série de desgastes.

A monografia é obrigatória e paira sobre os ombros do monografando como um papagaio que jamais cala o bico. Ao ser questionado sobre o que angustia o pobre monografando, o que geralmente diz o papagaio?

 

  • não sei sobre que tema fazer;
  • tenho um tema em mente, mas não sei se rende;
  • tenho dois temas e não consigo escolher;
  • simplesmente não sei por onde começar;
  • não sei quem pode me orientar;
  • não sei como abordar meu possível orientador;
  • sei o que quero fazer, mas não há ninguém que possa me orientar aqui;
  • não sei escrever na linguagem científica;
  • detesto a linguagem acadêmica e acho isso uma bobagem;
  • não tenho tempo, já estou trabalhando;
  • não tenho disciplina suficiente, sou muito dispersivo;
  • não sei lidar com prazos;
  • não gosto de ler teoria;
  • nunca vou conseguir ler toda a bibliografia necessária;
  • tenho medo de misturar autores de diferentes paradigmas;
  • não entendo nada de metodologia;
  • nunca escrevi mais do que dez páginas, como vou escrever uma monografia?

 

Dificilmente alguém estará livre de algumas dessas angústias. Na verdade, elas acompanham todos os pesquisadores. Doutores também possuem dúvidas sobre  questões de pesquisa e escolhas de métodos, por exemplo, e a maioria tem dificuldade para lidar com prazos.

 

Vou procurar tratar de cada item separadamente, pois todos são pertinentes. O que importa dizer, logo de início, é que essas angústias não são individuais, e sim compartilhadas. Alguns podem estar mais seguros sobre um ou outro ponto, mas todos passam pelas mesmas dúvidas. Falar sobre essas questões vai retirando aquela aura mítica de que haveria mentes privilegiadas para as quais a monografia seria apenas uma questão de “sentar e escrever”. Bem, isso não existe. Infelizmente, ninguém “senta e escreve” uma monografia.

 

A primeira dificuldade é definir o tema de pesquisa. Um bom tema deve:

  • Ser prazeroso e interessante ao pesquisador. Escolha algo que lhe dê prazer. Não torne a monografia um fardo mais pesado do que já é.
  • Estar adequado ao universo básico de conhecimento do pesquisador. Você gosta de televisão? Estude televisão. Sempre gostou de discutir política? Pense em uma problemática nesse campo. A mesma lógica vale para as disciplinas de antropologia, história, psicologia, sociologia, arte, filosofia, economia etc. A monografia é uma oportunidade de estudar e aprofundar conhecimentos, portanto escolha algo que você queira conhecer melhor.
  • Ser pertinente à área de conhecimento. Ou seja, estude Comunicação.
  • Ser exeqüível quanto ao tempo de execução. Não planeje algo que demanda mais tempo do que você dispõe, apenas para na metade do caminho ser obrigado a reduzir suas ambições. Não gere suas próprias frustrações.
  • Ser exeqüível quanto ao acesso às fontes de pesquisa. Se seu trabalho exige acesso a informações privilegiadas, assegure-se de que tem este acesso antes de ir adiante. Se o acesso não é garantido, o melhor a fazer é mudar de tema ou de objeto.
  • Oferecer uma abordagem original. Para isso, é preciso avaliar o que vem sendo feito e propor um objeto novo ou um novo olhar sobre um objeto já pesquisado.
  • Ter interesse público. De modo geral, eu diria que tem interesse público aquilo que pode contribuir com o conhecimento do campo da Comunicação, de um grupo social ou de uma instituição (preferencialmente pública). É importante que os resultados possam ser socializados. 
  • Ter relevância histórica e científica. A menos que seu trabalho tenha caráter histórico, é importante que você escolha temas contemporâneos. A relevância científica está associada ao interesse público e à validade que seu trabalho demonstrará, pelo referencial teórico e pela metodologia utilizados. 

 

Aqui estão, de forma geral, as temáticas que vêm sendo pesquisadas no campo da Comunicação e que podem inspirar sua monografia:

Jornalismo – jornais, imprensa sindical ou institucional, jornalismo alternativo ou comunitário, história da imprensa, telejornalismo, radiojornalismo, revistas de informação, webjornalismo, fotojornalismo, jornalismo especializado, gêneros jornalísticos, assessoria de imprensa, relação com as fontes, rotinas de produção, critérios de noticiabilidade, identidade profissional do jornalista, ética jornalística, observatórios de mídia, ensino de jornalismo

Publicidade – estratégias publicitárias, estudos de marca, marketing de relacionamento, criatividade, criação, consumo, análise de publicidade em meios segmentados, história da publicidade, marketing, marketing cultural, marketing religioso, marketing de responsabilidade social, buzz marketing, merchandising, propaganda e espaços urbanos, relação entre arte e publicidade, design gráfico, jingles, propaganda institucional, legislação, marketing eleitoral, propaganda política, ensino de publicidade e propaganda

Relações públicas – comunicação organizacional, cultura organizacional, meios como ferramentas de comunicação, recursos humanos, responsabilidade social, terceiro setor, marketing cultural, marketing institucional, marketing religioso, imagem dos profissionais de relações públicas, imagem e marca institucional, avaliação de resultados, comunicação dirigida, comunicação na administração pública, ensino de RP

Televisão e vídeo – telenovelas, seriados, gêneros televisivos, história da televisão, vídeo independente, vídeo popular ou alternativo, vídeo comercial, televisão pública, legislação

Rádio – gêneros radiofônicos, rádio comunitária, rádio pública, história do rádio, legislação

Internet – cibercultura, redes sociais, comunidades virtuais, blogs, interação

Fotografia – análise de produtos, relação com a arte, representação, impacto da tecnologia

Cinema – análise de filmes, métodos de produção, captação de recursos, distribuição, mercado audiovisual, linguagem, história do cinema

Editoração – produção, leitura, livro, revistas científicas, histórias em quadrinhos

Música – consumo, tipos, representações, impacto da tecnologia

Cultura – expressões da cultura popular, identidades, gênero (mulheres), cultura de massa, grafite, corpo e comunicação, estudos de recepção

Linguagem e estética – estudos de discurso, imaginário, representações, narrativas, subjetividades, transposição de linguagens de um suporte a outro

Tecnologia – desenvolvimento de tecnologias, plataformas midiáticas, programas, modos de interação, impacto das redes digitais no consumo de produtos culturais, computação gráfica, escrita coletiva, convergência dos meios

Indústria cultural – poder dos meios, economia política, informação no capitalismo, empresas de comunicação

Teorias e metodologias da comunicação – estudos de epistemologia da comunicação, o que é ciência, metodologia de pesquisa